RCM

 RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

 

1.             NOME DO MEDICAMENTO

 

ellaOne 30 mg comprimido

 

2.             COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

 

Cada comprimido contém 30 mg de acetato de ulipristal.

 Excipientes com efeito conhecido:

Cada comprimido contém 237 mg de lactose (como mono-hidrato).

 Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

 

 3.             FORMA FARMACÊUTICA

 

Comprimido

Comprimido branco ou creme marmoreado, redondo, convexo, gravado com o código “еllа” em ambas as faces.

 

4.             INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1         Indicações terapêuticas

Contraceção de emergência até 120 horas (5 dias) após uma relação sexual não protegida ou em caso de falha do método contracetivo.

4.2         Posologia e modo de administração

Posologia

O tratamento consiste na administração oral de um comprimido, logo que possível, o mais tardar até às 120 horas (5 dias) após a relação sexual não protegida ou a falha do contracetivo.

O ellaOne pode ser tomado em qualquer fase do ciclo menstrual.

Caso ocorram vómitos até 3 horas após a ingestão de ellaOne, deverá tomar-se outro comprimido.

Se o período menstrual de uma mulher estiver atrasado ou em caso de sintomas de gravidez, deverá excluir-se a possibilidade de gravidez antes da administração de ellaOne.

Populações especiais

Compromisso renal:

Não é necessário ajuste de dose.

 Afeção hepática

Na ausência de estudos específicos, não é possível estabelecer recomendações alternativas quanto à dose de ellaOne.

 Afeção hepática grave:

Na ausência de estudos específicos, não é recomendado o ellaOne.

População pediátrica:

Não existe utilização relevante de ellaOne em crianças em idade pré-púbere na indicação de contraceção de emergência.
Adolescentes: o ellaOne é adequado para qualquer mulher com potencial para engravidar, incluindo adolescentes. Não foram demonstradas diferenças na segurança nem na eficácia em comparação com mulheres adultas com 18 anos ou mais (ver secção 5.1).

Modo de administração

Uso oral. O comprimido pode ser tomado com ou sem alimentos.

4.3         Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4         Advertências e precauções especiais de utilização

O ellaOne é apenas para uso ocasional. Em nenhum caso deve substituir um método contracetivo regular. Em qualquer caso, as mulheres devem ser aconselhadas a adotar um método contracetivo regular.

O ellaOne não se destina a uso durante a gravidez e não deve ser administrado por qualquer mulher que suspeite de gravidez ou que esteja grávida. Todavia, o ellaOne não interrompe uma gravidez existente (ver secção 4.6).

O ellaOne não evita a gravidez em todos os casos.

No caso de o próximo período menstrual estar com um atraso superior a 7 dias, se o período menstrual tiver características anormais ou se houver sintomas que sugiram gravidez ou em caso de dúvida, deve ser feito um teste de gravidez. Tal como com qualquer gravidez, deve ser tida em consideração a possibilidade de uma gravidez ectópica. É importante saber que a ocorrência de hemorragia uterina não exclui a gravidez ectópica. As mulheres que fiquem grávidas depois de tomarem ellaOne devem entrar em contacto com o seu médico (ver secção 4.6).

O ellaOne inibe ou adia a ovulação (ver secção 5.1). Se a ovulação já tiver ocorrido, o ellaOne deixa de ser eficaz. Não se pode prever o momento da ovulação e, por conseguinte, o ellaOne deve ser tomado assim que possível após a relação sexual não protegida.

Não existem dados disponíveis sobre a eficácia de ellaOne quando administrado mais de 120 horas (5 dias) após uma relação sexual não protegida.

Dados limitados e inconclusivos sugerem que pode haver uma eficácia reduzida de ellaOne com o aumento do peso corporal ou do índice de massa corporal (IMC) (ver secção 5.1). Em todas as mulheres, a contraceção de emergência deve ser tomada assim que possível após a relação sexual não protegida, independentemente do peso corporal ou do IMC da mulher.

Depois da administração de ellaOne, a menstruação pode por vezes ocorrer alguns dias mais cedo ou mais tarde que a data esperada. Em aproximadamente 7 % das mulheres, a menstruação ocorreu mais de 7 dias mais cedo que o esperado. Em aproximadamente 18,5 % das mulheres, ocorreu um atraso de mais de 7 dias, tendo este atraso sido superior a 20 dias em 4 % das mulheres.

A utilização concomitante de acetato de ulipristal e contraceção de emergência que contenha levonorgestrel não é recomendada (ver secção 4.5).

Contraceção após tomar ellaOne

O ellaOne é um contracetivo de emergência que diminui o risco de gravidez após a relação sexual não protegida, mas não confere proteção contracetiva para relações sexuais posteriores. Por conseguinte, após a utilização da contraceção de emergência, as mulheres devem ser aconselhadas a utilizar um método de barreira fiável até ao próximo período menstrual.

Embora a utilização de ellaOne não contraindique a utilização continuada de contraceção hormonal regular, o ellaOne pode reduzir a sua ação contracetiva (ver secção 4.5). Por conseguinte, se uma mulher pretender começar ou continuar a utilizar contraceção hormonal, pode fazê-lo após utilizar ellaOne; todavia, ela deve ser aconselhada a utilizar um método de barreira fiável até ao seu próximo período menstrual.

Populações específicas

Não é recomendada a utilização concomitante de ellaOne com indutores de CYP3A4 devido à interação (por ex., barbitúricos [incluindo primidona e fenobarbital], fenitoína, fosfenitoína, carbamazepina, oxcarbazepina, medicamentos à base de plantas contendo Hypericum perforatum [Erva de S. João], rifampicina, rifabutina, griseofulvina, efavirenz, nevirapina e utilização a longo prazo de ritonavir).

Não é recomendada a utilização em mulheres com asma grave tratada por um glucocorticoide oral.

Este medicamento contém lactose. As doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp, ou má absorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento.

4.5         Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeitos potenciais de outros medicamentos sobre o acetato de ulipristal

O acetato de ulipristal é metabolizado in vitro pelo CYP3A4.

–            Indutores do CYP3A4

Os resultados in vivo revelam que a administração do acetato de ulipristal com um forte indutor do CYP3A4 como a rifampicina diminui marcadamente a Cmax e a AUC do acetato de ulipristal em 90% ou mais e diminui a semivida do acetato de ulipristal em 2,2 vezes correspondendo a uma diminuição em aproximadamente 10 vezes da exposição ao acetato de ulipristal. A utilização concomitante de ellaOne com indutores do CYP3A4 (por ex., barbitúricos [incluindo primidona e fenobarbital], fenitoína, fosfenitoína, carbamazepina, oxcarbazepina, medicamentos à base de plantas contendo Hypericum perforatum [Erva de S. João], rifampicina, rifabutina, griseofulvina, efavirenz e nevirapina) reduz, assim, as concentrações de plasma do acetato de ulipristal e pode resultar numa diminuição da eficácia de ellaOne. Para as mulheres que utilizaram fármacos indutores enzimáticos nas últimas 4 semanas, ellaOne não é recomendada (ver secção 4.4) e deve ser considerada a utilização de um dispositivo intrauterino de cobre (i.e. um DIU-Cu).

–          Inibidores do CYP3A4

Os resultados in vivo revelam que a administração do acetato de ulipristal com um potente e um moderado inibidor do CYP3A4 aumentou a Cmax e a AUC do acetato de ulipristal num máximo de 2 e 5,9 vezes, respetivamente. É improvável que os efeitos dos inibidores de CYP3A4 tenham quaisquer consequências clínicas.

O inibidor do CYP3A4 ritonavir pode também ter um efeito indutor no CYP3A4 quando o ritonavir é utilizado durante um período mais longo. Nesses casos, o ritonavir pode reduzir as concentrações de plasma do acetato de ulipristal. A utilização concomitante não é assim recomendada (ver secção 4.4). A indução da enzima reduz-se lentamente, e os efeitos sobre as concentrações plasmáticas de acetato de ulipristal podem ocorrer mesmo quando uma mulher tenha deixado de tomar um indutor enzimático nas 4 semanas anteriores.

Medicamentos que afetam o pH gástrico

A administração do acetato de ulipristal (10 mg comprimidos) concomitante com o inibidor da bomba de protões ezomeprazol (20 mg por dia durante 6 dias) resultou, aproximadamente, numa Cmax média 65% inferior, num Tmax atrasado (a partir de uma mediana de 0,75 horas a 1,0 horas) e uma AUC média 13 % superior. Não se conhece a relevância clínica desta interação para a administração de uma dose única de acetato de ulipristal como contraceção de emergência.

Efeitos potenciais do acetato de ulipristal sobre outros medicamentos

Contracetivos hormonais

Dado que o acetato de ulipristal se liga ao recetor da progesterona com elevada afinidade, poderá interferir com a ação de medicamentos que contêm progestagénios:

–        A ação contracetiva de contracetivos hormonais combinados e contracetivos com base apenas em progestagénios poderá ser diminuída

–        A utilização concomitante de acetato de ulipristal e de contracetivos de emergência contendo levonorgestrel não é recomendada (ver secção 4.4).

Os dados in vitro indicam que o acetato de ulipristal e seu metabolito ativo não inibem significativamente o CYP1A2, 2A6, 2C9, 2C19, 2D6, 2E1 e 3A4 em concentrações clinicamente relevantes. Após uma administração de dose única, não é provável a indução do CYP1A2 e do CYP3A4 pelo acetato de ulipristal ou seu metabolito ativo. Por conseguinte, é improvável que a administração do acetato de ulipristal altere a depuração dos medicamentos que são metabolizados por estas enzimas.

Substratos de P-gp (glicoproteína P)

Os dados in vitro indicam que o acetato de ulipristal pode ser um inibidor do P-gp em concentrações clinicamente relevantes. Os resultados in vivo com o substrato de P-gp fexofenadina foram inconclusivos. É improvável que os efeitos nos substratos de P-gp tenham quaisquer consequências clínicas.

4.6         Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

O ellaOne não se destina à utilização durante a gravidez e não deve ser tomado por nenhuma mulher em caso de suspeita de gravidez ou se souber que está grávida (ver secção 4.2).

O ellaOne não interrompe uma gravidez existente.

A gravidez pode ocorrer ocasionalmente depois de se tomar ellaOne. Embora não tenha sido observado qualquer potencial teratogénico, os dados de estudos em animais são insuficientes no que diz respeito à toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Os dados humanos limitados relativamente à exposição da gravidez ao ellaOne não sugerem qualquer preocupação com a segurança. Não obstante, é importante que qualquer gravidez de uma mulher que tenha tomado ellaOne seja notificada em www.hra-pregnancy-registry.com. A finalidade deste registo baseado na Web é recolher informações de segurança de mulheres que tomaram ellaOne durante a gravidez ou que tivessem ficado grávidas depois de terem tomado ellaOne. Todos os dados dos doentes recolhidos serão mantidos anónimos.

Amamentação

O acetato de ulipristal é excretado no leite materno (ver secção 5.2). Não foi estudado o efeito em recém-nascidos/bebés. Não se pode excluir um risco para o lactente em amamentação. Depois da administração de ellaOne, não é recomendada a amamentação durante uma semana. Durante este período recomenda-se a excreção e eliminação do leite materno de forma a estimular a lactação.

Fertilidade

É provável um rápido retorno da fertilidade após o tratamento com ellaOne para contraceção de emergência. As mulheres devem ser aconselhadas a utilizar um método de barreira fiável para todas as relações sexuais posteriores até ao próximo período menstrual.

4.7         Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos do ellaOne sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas poderão ser reduzidos ou moderados: tonturas ligeiras a moderadas são frequentes após a administração de ellaOne, sonolência e visão turva são pouco frequentes; foram notificadas raramente perturbações da atenção. O doente deve
ser informado de que não deve conduzir nem utilizar máquinas se tiver esses sintomas (ver secção 4.8)

4.8         Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas mais frequentes notificadas foram cefaleias, náuseas, dores abdominais e dismenorreia.

A segurança do acetato de ulipristal foi avaliada em 4718 mulheres durante o programa de desenvolvimento clínico.

Lista tabelada de reações adversas

As reações adversas notificadas num estudo de fase III, no qual participaram 2637 mulheres, são apresentadas no quadro em baixo.

As reações adversas abaixo apresentadas são classificadas de acordo com a frequência e a classe de sistema de órgãos. As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de frequência dentro de cada classe de frequência.

A tabela indica as reações adversas de acordo com o sistema de classe de órgãos e de frequência: muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥ 1/100 a <1/10), pouco frequentes (≥ 1/1000 a <1/100) e raros (≥1/10 000 a <1/1000).

MedDRA

Reações adversas (frequência)

Classe de Sistema de Órgãos Muito frequentes Frequentes  Pouco frequentes  Raros 
Infeções e infestações Gripe
Doenças do metabolismo   e da nutrição Perturbações do   apetite
Perturbações do foro   psiquiátrico Perturbações do humor Perturbação emocionalAnsiedadeInsóniaPerturbação de   hiperatividadePerturbações da libido Desorientação
Doenças do sistema   nervoso Dor de cabeçaTonturas SonolênciaEnxaqueca TremoresPerturbações da   atençãoDisgeusiaSíncope
Afeções oculares Perturbações visuais Sensação estranha no   olhoHiperemia ocularFotofobia
Afeções do ouvido e do   labirinto Vertigens
Doenças respiratórias,   torácicas e do mediastino Garganta seca
Doenças   gastrointestinais Náuseas*Dor abdominal*Desconforto abdominalVómitos* DiarreiaBoca secaDispepsiaFlatulência
Afeções dos tecidos   cutâneos e subcutâneos AcneLesões da pelePrurido Urticária
Afeções   musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos MialgiaLombalgia
Doenças dos órgãos   genitais e da mama DismenorreiaDor pélvicaSensibilidade mamária MenorragiaCorrimento vaginalPerturbação menstrualMetrorragiaVaginiteAfrontamentosSíndrome pré-menstrual Prurido genitalDispareuniaRutura de quisto   ováricoDores vulvovaginaisHipomenorreia*
Perturbações gerais e   alterações no local de administração Fadiga ArrepiosMal-estar geralPirexia Sede

 

 

*Sintoma que pode também estar relacionado com uma gravidez não diagnosticada (ou complicações relacionadas)

Adolescentes: o perfil de segurança observado em mulheres com menos de 18 anos de idade em estudos e após a introdução no mercado é semelhante ao perfil de segurança em adultos durante o programa de fase III (Secção 4.2).

Experiência após introdução no mercado: as reações adversas espontaneamente notificadas na experiência após a introdução no mercado foram semelhantes em natureza e frequência ao perfil de segurança descrito durante o programa de fase III.

Descrição de reações adversas selecionadas

A maioria das mulheres (74,6 %) nos estudos de fase III menstruaram na data esperada ou dentro de ± 7 dias, enquanto 6,8 % menstruaram mais de 7 dias mais cedo que o esperado e 18,5 % apresentaram um atraso de mais de 7 dias em relação à data prevista da menstruação. O atraso foi superior a 20 dias em 4 % das mulheres.

Uma minoria (8,7 %) das mulheres notificou hemorragias intermenstruais com uma duração média de 2,4 dias. Na maioria dos casos (88,2 %), esta hemorragia foi notificada como pequenas perdas de sangue. Entre as mulheres que receberam ellaOne nos estudos de fase III, apenas 0,4 % notificaram hemorragias intermenstruais abundantes.

No estudo de fase III, 82 mulheres participaram no estudo mais do que uma vez tendo, desta forma, recebido mais do que uma dose de ellaOne (73 participaram duas vezes e 9 participaram três vezes). Nestas mulheres, não existiram diferenças em termos de segurança no que respeita à incidência e gravidade dos acontecimentos adversos, da alteração da duração ou volume da menstruação ou da incidência de hemorragias intermenstruais.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas diretamente ao INFARMED, I.P.:

INFARMED, I.P.

Direção de Gestão do Risco de Medicamentos

Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53

1749-004 Lisboa

Tel: +351 21 798 71 40

Fax: + 351 21 798 73 97

Sítio da internet: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage

E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt

4.9         Sobredosagem

A experiência de sobredosagem com acetato de ulipristal é limitada. Foram usadas doses únicas até 200 mg em mulheres que não apresentavam preocupações de segurança. Estas doses elevadas foram bem toleradas; no entanto, estas mulheres tiveram um curto ciclo menstrual (hemorragia uterina ocorreu 2-3 dias antes do que seria esperado) e, em alguns casos, a duração da hemorragia foi prolongada, embora sem quantidade excessiva (pequenas perdas). Não há antídotos e o restante tratamento deve ser assintomático

5.             PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1         Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Hormonas sexuais e moduladores do sistema genital, contraceção de emergência. Código ATC: G03AD02.

O acetato de ulipristal é um modulador seletivo sintético, oralmente ativo, do recetor da progesterona que atua devido à sua ligação de elevada afinidade ao recetor da progesterona humano. Quando utilizado para contraceção de emergência, o mecanismo de ação é a inibição ou o atraso da ovulação através da supressão do aumento da LH. Os dados farmacodinâmicos mostram que mesmo até quando administrado imediatamente antes da ovulação estar programada para ocorrer (quando a LH já começou a aumentar), o acetato de ulipristal é capaz de adiar a rutura folicular durante, pelo menos 5 dias em 78,6 % dos casos (p<0,005 vs. levonorgestrel e vs. placebo) (ver Tabela).

 

Prevenção   da ovulação1,§

Placebo

n=50

Levonorgestrel

n=48

Acetato de ulipristal

n=34

Tratamento antes   do aumento da LH

n=16

0,0 %

n=12

25,0   %

n=8

100 %

p<0,005*

Tratamento após o   aumento da LH, mas antes do pico da LH

n=10

10,0   %

n=14

14,3   %

NS†

n=14

78,6 %

p<0,005*

Tratamento após o   pico da LH

n=24

4,2 %

n=22

9,1 %

NS†

n=12

8,3 %

NS*

 

 

 

 

 

1: Brache et al, Contraception 2013

§: definida como a presença de folículo dominante intacto cinco dias após o tratamento tardio da fase folicular

*: em comparação com levonorgestrel

NS: não significativo estatisticamente

†: em comparação com placebo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O acetato de ulipristal tem igualmente uma elevada afinidade em relação ao recetor glucocorticoide, tendo sido observados efeitos antiglucocorticoides in vivo, em animais. No entanto, nos seres humanos, não foi observado um tal efeito mesmo depois da administração repetida da dose diária de 10 mg. Tem uma afinidade mínima para o recetor do androgénio e não tem afinidade para os recetores do estrogénio ou dos mineralocorticoides humanos.

Os resultados de dois ensaios controlados randomizados independentes (ver tabela) mostram que a eficácia do acetato de ulipristal não é inferior à do levonorgestrel em mulheres que se apresentaram para contraceção de emergência entre as 0 e as 72 horas após uma relação sexual não protegida ou da falha do contracetivo. Quando se combinaram os resultados destes dois estudos através da meta-análise, o risco de gravidez com o acetato de ulipristal era significativamente reduzido quando comparado com o levonorgestrel (p=0,046).

 

 

Estudo   controlado randomizado

Taxa   de gravidez (%)

nas 72   h após relação sexual não protegida ou falha do contracetivo2

Rácio   de probabilidade [95% IC] de risco de gravidez, acetato de  ulipristal vs levonorgestrel2

Acetato de ulipristal

Levonorgestrel

HRA2914-507

0,91

(7/773)

1,68

(13/773)

0,50 [0,18-1,24]

HRA2914-513

1,78

(15/844)

2,59

(22/852)

0,68   [0,35-1,31]

Meta-análise

1,36

(22/1617)

2,15

(   35/1625)

0,58   [0,33-0,99]

 

 

 

 

2: Glasier et al, Lancet 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois estudos oferecem dados de eficácia sobre o ellaOne utilizado até 120 horas após relação sexual não protegida. Num estudo clínico aberto, que englobou mulheres que se apresentaram para contraceção de emergência e foram tratadas com acetato de ulipristal entre as 48 e as 120 horas após uma relação sexual não protegida, a taxa de gravidez foi de 2,1 % (26/1241). Adicionalmente, o segundo estudo comparativo descrito anteriormente apresentou dados sobre 100 mulheres tratadas com acetato de ulipristal de 72 a 120 horas após relação sexual não protegida, nas quais não foi observada gravidez.

 

Dados limitados e inconclusivos de ensaios clínicos sugerem a possível tendência para uma redução da eficácia contracetiva do acetato de ulipristal com peso corporal ou IMC elevado (ver secção 4.4). A meta-análise de quatro ensaios clínicos conduzidos com o acetato de ulipristal apresentada em seguida excluiu mulheres que tiveram outras relações sexuais não protegidas.

 

IMC    (kg/m2) Peso    reduzido0 –    18,5 Normal18,5-25 Excesso    de peso 25-30 Obesidade30-
N   total 128 1866 699 467
N   gravidezes 0 23 9 12
Taxa   de gravidez 0,00 % 1,23 % 1,29 % 2,57 %
Intervalo   de confiança 0,00 – 2,84 0,78 – 1,84 0,59 – 2,43 1,34 – 4,45

 

 

 

Um estudo observacional após a introdução no mercado que avaliou a eficácia e a segurança do ellaOne em adolescentes com 17 anos ou menos não revelou qualquer diferença no perfil de segurança e eficácia em comparação com mulheres adultas com 18 anos ou mais.

 

5.2         Propriedades farmacocinéticas

Absorção

Na sequência da administração oral de uma dose única de 30 mg, o acetato de ulipristal é rapidamente absorvido, resultando numa concentração plasmática máxima de 176 ± 89 ng/ml que ocorre aproximadamente em 1 hora (0,5-2,0 h) após a ingestão e numa AUC0-∞ de 556 ± 260 ng.h/ml.

A administração de acetato de ulipristal em conjunto com um pequeno-almoço com elevado teor de gorduras resultou numa Cmax média cerca de 45 % mais baixa, num Tmax atrasado (de uma mediana de 0,75 horas para 3 horas) e numa AUC0-∞ média 25 % mais elevada em comparação com a administração em jejum. Foram obtidos resultados semelhantes em relação ao metabolito mono-desmetilado ativo.

Distribuição

O acetato de ulipristal liga-se fortemente às proteínas plasmáticas (>98 %), incluindo a albumina, a glicoproteína ácida alfa-1 e a lipoproteína de alta densidade.

O acetato de ulipristal é um composto lipofílico e é distribuído no leite materno, com uma excreção média diária de 13,35 µg [0-24 horas], 2,16 µg [24-48 horas], 1,06 µg [48-72 horas], 0,58 µg [72-96 horas] e 0,31 µg [96-120 horas).

Os dados in vitro indicam que o acetato de ulipristal pode ser um inibidor dos transportadores da BCRP (Proteína de Resistência ao Cancro da Mama) a nível intestinal. Não é provável que os efeitos do acetato de ulipristal na BCRP tenham qualquer consequência clínica.

O acetato de ulipristal não é um substrato de OATP1B1 ou OATP1B3.

Biotransformação /eliminação

O acetato de ulipristal é extensamente metabolizado em metabolitos mono-desmetilados, di-desmetilados e hidroxilados. O metabolito mono-desmetilado é farmacologicamente ativo. Os dados in vitro indicam que é predominantemente mediado pelo CYP3A4 e, em menor escala, pelo CYP1A2 e pelo CYP2A6. A semivida terminal do acetato de ulipristal no plasma, na sequência de uma dose de 30 mg, foi estimada em 32,4 ± 6,3 horas, com uma depuração oral média (CL/F) de 76,8 ± 64,0 l/h.

Populações especiais

Não foram realizados estudos farmacocinéticos com o acetato de ulipristal em mulheres com compromisso renal ou afeção hepática.

5.3         Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida e genotoxicidade. A maioria dos resultados dos estudos de toxicidade geral estava relacionada com o seu mecanismo de ação como modulador dos recetores de progesterona e glucocorticoides, sendo a atividade antiprogesterona observada com exposições semelhantes aos níveis terapêuticos.

Informações relativas a ensaios sobre toxicidade reprodutiva são limitadas devido à ausência de medição da exposição nestes ensaios. O acetato de ulipristal tem um efeito embrionário letal em ratos, coelhos (com doses acima de 1 mg/kg) e em macacos. Nestas doses repetidas, é desconhecida a segurança para o embrião humano. Não foram observados efeitos teratogénicos em doses suficientemente baixas para manter a gestação nas espécies animais.

Estudos de avaliação (em ratos e ratinhos) do potencial carcinogénico revelaram que o acetato de ulipristal não tem potencial carcinogénico.

6.             INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1         Lista dos excipientes

Lactose mono-hidratada

Povidona K30

Croscarmelose sódica

Estearato de magnésio

6.2         Incompatibilidades

Não aplicável

6.3         Prazo de validade

3 anos

6.4         Precauções especiais de conservação

Conservar a temperatura inferior a 25 °C. Conservar na embalagem de origem para proteger da humidade. Manter o blister dentro da embalagem exterior para proteger da luz.

6.5         Natureza e conteúdo do recipiente

Blister de PVC-PE-PVDC-alumínio com 1 comprimido.

Blister de PVC-PVDC-alumínio com 1 comprimido.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

A embalagem contém um blister com um comprimido.

6.6         Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais.

7.             TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Laboratoire HRA Pharma 15, rue Béranger F-75003 Paris França

8.             NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/09/522/001

EU/1/09/522/002

9.             DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO  MERCADO

Data da primeira autorização: 15 de maio de 2009

Data da última renovação: 20 de maio de 2014

10.         DATA DA REVISÃO DO TEXTO

 Data de revisão: janeiro 2017.

 

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

Medicamento Não Sujeito a Receita Médica de Dispensa Exclusiva em Farmácia. Medicamento não comparticipado.

Para mais informações contactar o titular de AIM. Titular de AIM: Laboratoire HRA Pharma, 15 rue Béranger, 75003 Paris, França, NIF: FR 67 420 792 582; Representante local: HRA Pharma Iberia, S.L., Sucursal em Portugal; Av. da Liberdade, 110, 1º, 1269-046 Lisboa; Portugal.