A imprevisibilidade da ovulação

Depois de uma relação sexual não protegida ou falha do método contracetivo, o espermatozoide pode sobreviver durante aproximadamente  5 dias dentro do trato genital1. Isto significa que durante o ciclo menstrual médio da mulher existem seis dias nos quais  uma relação sexual pode dar lugar a uma gravidez. Este ‘período fértil’ são os cinco dias antes da ovulação mais o dia da ovulação2.

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Portanto, quando se estabelece o período fértil? A evidência atual opõe-se ao conhecimento simplificado do ciclo menstrual   ilustrado anteriormente2. Agora sabemos que a ovulação somente acontece no dia 14 de um ciclo de 28 dias em aproximadamente 12% dos casos3.

A variabilidade da ovulação é grande – pode acontecer a partir do dia 11 ao dia 212. Dado que o espermatozoide permanece viável durante cinco dias1, o período durante o qual é provável que ocorra a gravidez amplia-se do dia 6 ao dia 21 para mulheres com um ciclo regular3. Se o ciclo não é regular, existe o risco de a ovulação ocorrer mesmo mais tarde no ciclo2. O período de risco de gravidez não finaliza antes do dia 28 do seu ciclo2. Esta descrição demonstra que não existe um período que esteja livre de risco2.

A ovulação varia de um ciclo para o outro2

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Mesmo que exista o risco de gravidez na maior parte do tempo2, as mulheres podem subestimar o risco de gravidez4. Esta falta de consciencialização do risco de  gravidez pode ser a barreira mais importante para o uso de contraceção e emergência5

O risco mais elevado de engravidar é quando a ovulação acontece imediatamente após uma relação sexual não protegida (RSNP)6

A viabilidade do espermatozoide diminui com o decorrer do tempo. Isto significa que o risco de engravidar é mais elevado durante os três primeiros dias após uma relação sexual não protegida ou falha do método contracetivo6.

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Portanto, para evitar uma gravidez não planeada, é muito importante inibir ou atrasar a ovulação imediatamente após  a RSNP utilizando a contraceção de emergência o mais rápido possível.

 

Referências

1. Pallone SR, Bergus GR. JABFM 2009; 22(2):147-57.
2. Wilcox AJ, et al. BMJ 2000; 321:1.259-62.
3. Baird DD, et al. Epidemiology 1995; 6:547-50.
4. Nappi RE, et al. Eur J Contracept Reprod Health Care. 2014 Apr; 19(2):93-101.
5. Moreau C, et al. Contraception 2005; 71:202-7.
6. Wilcox AJ, et al. N Engl J Med 1995; 333:1.517-21.